sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A vida como ela é em "Narnia"




A vida aqui neste canto do planeta tem a aparência de contos de fadas. Primeiro as casinhas de madeira coloridas, os fiordes e então a neve. Tudo parece ter saído de um livro de histórias para crianças. Eu me sinto totalmente recém saída do guarda-roupas, para dentro de Narnia antes do príncipe Caspian. Com os dias brancos, a cidade coberta de neve, o frio descomunal lá fora não se pensa em nada a não ser comer e beber. Para viver vamos ter que esperar a primavera voltar, pelo menos estando por aqui. Se rolar uma viagem este inverno aí então dá para viver um pouquinho.




Dentro do guarda-roupas

Enquanto o mundo lá fora me parece inacessível e estranho as crianças amam e não pensam em outra coisa que não esquis, trenós e 'snowboards'. Preparam as roupas sozinhos e vestem as blusinhas e as ceroulinhas de lã sem eu precisar pedir. Quando eles estão interessados a coisa muda totalmente de figura. Não querem passar frio nem ficar molhados pois querem é diversão. Eu gosto de olhar eles brincando com a neve mas ainda acho tudo muito estranho. Neve não me atrai nem um pouco, não quero contato físico, mas estou aprendendo a enfrentar neve e gelo sem sofrer, de cabeça erguida mas sem me divertir. Preciso estar sempre decentemente vestida, claro, para não passar frio.


Mas neve não é areia de praia, ainda que pareça. Por isso é preciso estar vestida de acordo para enfrentar o clima desta época do ano sem dor e evitar doença. E basta de doentes nesta casa. E por falar em doença eu preciso confessar o remédio secreto que eu usei para me recuperar. Não tenho a menor dúvida que este remédio funcionou, que foi ele que me curou. Vou explicar:




Na tarde quarta feira eu estava péssima da gripe e com vontade de comer arroz com feijão e banana frita. Eu tinha um belo pote de feijão preto congelado há tempos e então tirei-o do freezer e joquei o pedregulho de gelo preto dentro de um caldeirão com água e descongelei o menino no fogo. Demorou um pouco e estava tudo descongelado e fervendo. Nunca descongelo feijão assim, mas foi o jeito mais rápido para poder comer o feijão em poucas horas. Como o feijão estava bem grosso quando foi congelado eu só tive que ir adicionando mais água. Eu já tinha descongelado um pote de carne de panela e naquela noite comi arroz, feijão preto, banana e carne de panela com cenouras e mais uma saladinha de espinafre, tomate, laranja e azeitonas verdes que a Estela fez para mim. Sim, ela faz saladas para mim e sabe que quando tem feijão a salada deve ter laranja fatiada! Mas ela já vai fazer 9 anos.


No dia seguinte eu acordei outra, estava novinha em folha. Como num passe de mágica eu estava pronta para a rua! Acredito que o organismo reconhece certos sabores, que certos ingredientes e receitas tenham um efeito terapêutico e funcionam como um remédio. Certas comidas, principalmente aquelas caseiras, as da infância, comidas que participaram da formação do seu corpo, tem poder revigorante impressionante. Claro que existe uma parte física e uma parte psicológica. Existe a sugestão, o desejo e o efeito. Mas o fato é que a comida está totalmente ligada ao afeto, aos desejos, a saudade, as nossas doenças e a nossa história de vida. Assim como estudamos nossa história de vida para descobrir o remédio de fundo da homeopatia, por exemplo, podemos extrair da nossa história pessoal um alimento tão reconfortante como um remédio.

Eu não acredito em misticismos em geral, sou cientista, mas acredito que estudando nossa história pessoal, nossa vida, podemos achar curas simples para diversas agonias do nosso corpo. Desde um vírus de gripe ou uma irritação na pele. O nosso corpo tem memória física assim como mental.




O jantar aqui em casa ontem foi um banquete para mim. Ao meu gosto, com escondinho de carne de porco com toucinho defumado com espinafre, requeijão e muito purê de mandioca. Uma salada gigante de tomates pois nesta casa se vive a base de tomates e ainda arroz e feijão! Eu sou a única brasileira desta casa que está sofrendo para sobreviver aqui e os outros três viventes, noruegueses, não economizam esforços para me fazer feliz. Comem arroz com feijão e farofa de banana todos os dias se for necessário, só para me agradar.

Adoro comer com pão nas refeições, um covertzinho de entrada é fundamental, e a grande estrela de ontem que todos aqui amaram foi o pão de batata doce que eu mesma fiz e olha que eu não faço pão. O pão foi inspirado por receita publicada pela Cláudia Lima do blog Magia na Cozinha. E posso falar que este pão me enfeitiçou totalmente. Comemos um pão inteiro na hora e hoje acabamos o segundo. Todo mundo gostou eas crianças ficaram intrigadas com o tom amarelado do pão.

Vou publicar a receita, mas quiser poder consultar o original, basta visitar no blog da Cláudia aqui onde a receita aparece em inglês e português.

O pão da Cláudia Lima é mais doce mas eu modifiquei a quantidade de açúcar para ficar levemente salgado substituindo as 5 colheres de sopa de açúcar da receita por uma colher de sopa de sal e apenas uma colher de sopa de açúcar. E usei quatro xícaras de farinha pois eu acho que as minhas batatas doce eram maiores do que as dela. E renderam dois pães como este aí da foto.


Pao de Batata Doce

3 batatas doce médias sem casca e em cubos
10g de fermento biológico seco
2 colheres sopa de açúcar branco (use adoçante se preferir)
1 xícara de leite morno
3 colheres sopa de manteiga derretida
2 ovos grandes
3 xícaras de farinha de trigo integral (adicione mais se necessário)
Sal a gosto

Como:

Pré-aquecer o forno a 200C

Cozinhe as batatas em água salgada até ficarem macias. Escorra a água e amasse as batatas. Reserve.

Num pote grande misture o fermento, o açúcar OU o adoçante e o leite. Cubra e deixe descansar por 20 minutos.

Depois de 20 minutos, adicione as batatas, a manteiga e os ovos, misturando bem. Adicione entao a farinha, uma xícara de cada vez, até que a massa não grude mais nos dedos.

Sobre uma superfície levemente enfarinhada, divida a massa em 4 partes (eu dividi em duas e fiz dois paes ao inves de quatro) e forme uma bola com cada parte da massa. No topo de cada pao faca cortes na massa, com a ajuda de uma faca afiada. Coloque os pães numa assadeira forrada com papel manteiga, mantendo uma certa distância entre eles e cubra. Deixe os pães descansarem em um lugar morno, até dobrarem de tamanho (por cerca de uma hora)

Leve ao forno por 25 minutos ou até que estejam dourados. Esfriar sobre uma grade.




Mais imagens de nossa "Narnia" hoje:








6 comentários:

Nina disse...

Eu amo confort foods... Totalmente volto à infância...

E adoro, adoro fazer pão! Especialmente de fubá (aliás eu adoro tudo que tem fubá!)

beijos!

Glau disse...

Claudinha, tenho acompanhado suas "aventuras", mas não consegui te escrever..
hehe te deixei com vontade de comer trufas, né? mas te digo, quem me deixou com vontade foi vc! as minhas já tinham acabado fazia mto tempo qdo vc preparou as suas!

Fico feliz que vc se recuperou da gripe!

Que friiioooo que é o lugar que vc mora!

Te desejo um final de semana repleto de gostosuras (vai desde trufas no café da manhã, a comida que remete infância e tudo aquilo que vc tiver vontade) ao lado das pessoas que vc tanto ama! Tem coisa melhor?

Bjo, Glau

Magia na Cozinha disse...

Claudia fico feliz que vc tenha aproveitado a receita e que todos tenham gostado. Eu tb adoro este pão. A cor é fantástica!
Concordo com o que vc falou sobre os alimentos, acho que é por ai.
As fotos estão lindas! Ai tem um bocado de neve!
Em Utah, onde eu morava anteriormente, não neva tanto assim. Neva, mas logo derrete. Não acumula.
Eu gosto de neve, mas desde que não tenha que dirigir, quando está nevando, pois acho muito perigoso.
Bom findi!
Bjs mil :)

Claudia disse...

Nina,

Este pão de fubá deve ser o que no Rio chamamos broa de milho feita com fubá também. Eu adoro broa de milho. Mas nunca fiz, como falei eu nunca me aventurei demais nos pães, ainda..

Glau,

Para estimular o desejo precisa pouco né? Basta uma sutil descrição que uma mente fertil se perde. Na realidade quanto mais sutil mais intenso o desejo.

O frio aqui é coisa séria, mas estou no canto mais alto da Europa e eles estão acostumados Eu e que não me acostumo mesmo.


Xará querida,

O pão é tudo de bom. Comi feito louca com requeijão, com manteiga, com geléia e a cor é uma arraso, coloração natural. Super saudável. Muito obrigada por esta dica!

Aqui a neve só vai derreter em abril! E até lá eu dirijo com pneus especiais e muito cuidado!!!


Obrigada pela visita garotas!

C.

Isabel disse...

Que lindas as fotos, parece mesmo o cenário de um conto de fadas, mas para uma pessoas nascida no Rio deve ser muito difícil mesmo aguentar todo esse frio. Coragem!

Adorei a história de como a comidinha da sua infância funcionou como uma cura.
Bjs

Moira disse...

Ainda não tinha tido tempo de vir comentar este post magnífico. Fiquei fascinada com as fotografias, é que eu adoro neve e até hoje só vi nevar 2 vezes na vida. E o pãozinho também não é de se deitar fora (risos).
Já agora, depois me conta como reagiram as crianças ao lanchinho especial.
Bjs

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