quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pudim de cumaru com morangos derretidos...



E lá se foi um mês que poderia ter tido 40 dias. Pois mal começou e dezembro já praticamente acabou, mas eu continuo aqui com uma lista enorme de coisas para fazer. E assim foi-se o meu dezembro. Pensei em tantas postagens, fiz tantos planos, mas pouco foi feito. Me dá uma tristeza, imensa, não conseguir produzir tudo o que eu desejo, nem ir ao correio buscar encomendas eu consegui.

Faz muito frio atrapalhou e não dá a menor vontade de sair de casa. Mas não é só o inverno que me consome, minha vida está atingindo um momento único, especial, demandando muito mais de mim. Eu também estou demandando muito mais de mim e com tantas demandas não é fácil atender todos os pedidos, mas eu tento. Estou me dividindo entre vários projetos diferentes e apesar do esforço grande a coisa está sendo bem interessante. Em breve espero escrever sobre meu novo grande projeto. Estou eletrizada.



Para ilustrar esta postagem apresento mais uma receitinha de pudim de leite, desta vez com semente de cumaru, que deixa o pudim ainda mais perfumado e saboroso. Não deixe de procurar esta semente maravilhosa. E para acompanhar uma caldas de morangos derretidos. Colhemos estes morangos numa plantação aqui perto, no verão, totalmente orgânicos e totalmente saborosos. Colhemos muitos quilos e eu congelei 10 kg de morangos para os meses de vacas magras.

Quando eu preciso que uma sobremesa fresca e leve é só botar um pote de morangos para derreter na pia da cozinha e deixar descongelar. Demora um pouco para descongelar mas a noite eu tenho uma sobremesa que todos amam que sirvo com iogurte ou um creminho. É só derreter os morangos. Quando os morangos congelados derretem eles soltam muito suco e a água natural dos morangos formando uma calda vermelha profunda e maravilhosa. Nossos morangos soltam muita calda, parece até calda artificial, mas é totalmente natural. Morangos derretidos são um sucesso aqui em casa, a forma favorita das crianças comerem os morangos do último verão. Servi os morangos com o pudim de cumaru e ficou simplesmente fantástico.




Pudim de leite com cumaru
Anteriormente publicada aqui


1 litro de leite
2 dl de açúcar
1 semente de cumaru
6 ovos
300 gramas de morangos congelados e depois descongelados com seu suco

Como:


Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água para o banho-maria. Numa panela de fundo grosso coloque o leite e a semente de cumaru. Leve ao fogo médio e deixe que ferva lentamente. Numa tigela grande misture com um fouet o açúcar aos ovos, batendo bem para aerar. Quando o leite ferver coloque o leite fervendo sobre a mistura de ovos e açúcar, mexendo vigorosamente enquanto transfere o leite. Coloque o leite aos poucos sem parar de bater a mistura com o fouet para os ovos não talharem. É uma coisa que demanda a habilidade de usar os dois braços ao mesmo tempo, com um braço bate-se os ovos e com a outra segura-se com cuidado a panela de onde jorra o leite fervido. Parece complicado, mas não é, mas leite quente é leite quente. Com uma colher remova a semente de cumaru e retire a espuminha do leite que forma na superfície do pudim. Quando vamos deseformar não precisa remover espuma, mas quando vai ser servido no copo pode ficar mais bonito sem marcas de espuma. Divida a mistura nos copinhos ou potes com calda. Coloque os copinhos numa forma grande e cubra com água fervendo até atingir um pouco abaixo da metade da altura dos pote/copos. Asse por 25 a 30 minutos.

Retire do forno e deixe esfriar totalmente.

Leve para gelar e sirva com os morangos descongelados.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Natal legal com presentes orgânicos e regionais



Queridos, falar em consumo me dá até coceira. Pessoalmente eu sou aquela pessoa que acha que o consumo é mais um problema do que uma cura para os problemas sociais. Mas, ao mesmo tempo, eu acho importante divulgar iniciativas comerciais que me emocionam, projetos e produtos maravilhosos e que não me pagam um centavo sequer para divulgar, que eu divulgo por amor e por acreditar que eles fazem diferença. Minha dica para vocês é: não fique por aí gastando seu precioso dinheirinho com bobagens, as taxas de juros para o consumidor vão aumentar, a crise está instalada em todo o planeta e, mesmo que você tenha dinheiro bastante para gastar, por que não fazer bom uso? Por que não capitalizar socialmente consumindo produtos ecológicos, orgânicos, de comérico justo e comunitários?



Na minha opinião natal é um momento para dividir, não só com a família e os amigos, mas com a comunidade, com o país, é momento de ser generoso com o planeta, mesmo que seja doando pouco para quem não se conhece. Por que não doar ao invés de só comprar, gastar e desperdiçar? Se for comprar, sugiro que compre produtos brasileiros, nativos, orgânicos, do comércio justo e comunitário. Suas compras de natal podem ajudar a desenvolver e a melhorar a vida das comunidades rurais de todo o país e fazer um Brasil muito melhor. Por isso, seja forte, resista ao poder de sedução do consumo de bobagens importadas, não se deixe levar pela aparência das embalagens e pelos shoppings centers engarrafados e por delícias de outras nações. Ame-se, cuide da sua gente e do seu país.




Presenteie com uma cesta de produtos orgânico e compre apenas produtos brasileiros. Para ajudar eu fiz uma lista de cooperativas e comunidades brasileiras que vendem em todo o país e via internet. Não perca tempo, compre seus produtos orgânicos e nacionais. Minhas dicas para vocês são:



1. A menina dos meus olhos é o site Gravetero, da Coopersuc de Cooperativa agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá no Sertão da Bahia. Eles fazem coisas fantásticas e o site tem um textinho de abertura da Neide. Lá tem geléia de maracujá da caatinga, geléia de umbu, doce de manga, doce de maracujá com banana e doce de corte de umbu sem açúcar. Além de compotas de manga, goiaba e montes de delícias e até receitas. Basta entrar em produtos e se informar.

Gravetero da Coopersuc



2. Outro site que me emociona e onde vocês podem encontrar coisas ótimas é o site da Caatinga Cerrado e eu já tinha inclusive colocado um link na barra lateral do blog. A Caatinga Cerrado é uma iniciativa de articulação das redes e empreendimentos da agricultura familiar para a promoção e comercialização de produtos da sociobiodiversidade desses biomas e é um projeto maravilhoso com parceiros incríveis para o qual eu só tenho uma palavra: Apoie!







3. O site da Agreco, a Associação dos Agricultores Ecológicos das Encostas da Serra Geral de Santa Catarina, uma associação de agricultores que vai celebrar 15 anos de existência em 2011 e muita dedicação a agricultura fammiliar orgânica.

A Agreco produz molhos de tomates, geléias de tangerina e frutas diversas, tudo orgânico e natural e fantástico. Mas viaje pela lista de produtos, tem um monte de coisas fantásticas. Além de Santa Catarina, você pode encontrar os produtos em diversos estados: como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.



4. Que tal um presente super romântico, ir conhecer uma fazenda de café orgânicos certificados e que também é hotel? Conheça a Fazenda Cachoeira que recebe reservas dos interessados pela internet. Tem coisa mais chique do que dar de presente para um amigo, namorado ou um parente um final de semana numa fazenda colonial que produz café orgânico? A pessoa vai poder tomar parte numa oficina de café, aprender a provar a bebida e vai te amar para o resto da vida. Vai nessa, gaste o seu precioso dinheirinho com inteligência e charme em Minas Gerais. Consulte tarifas e reservas aqui



Por isso, se seu amor é do tipo que gosta de café eu se fosse você esquecia de vez aquela cafeteira pós-moderna que prepara café porcaria, em cápsula, e convidava o seu amor para passar uma final de semana numa fazenda de café de verdade, que produz cafés orgânicos. Cafés bacanérrimos, de alta qualidade, café de verdade e tudo de bom. Não se deixe levar pela aparência do maquinário, coloque as mãos nos grãos de verdade e sinta a diferença. Máquina não faz café, quem faz um bom café é o agricultor e a água que você usa no preparo.





5. Quer cachaça orgânica de qualidade? Visite o site da Sanhaçu, uma cachaça orgânica certificada e de alta qualidade produzida em Pernambuco. Você sabia que só Minas Gerais já tem oito cachaças com certificado de origem? Se jogue já e conheça a linha de produtos da Sanhaçu.








6. A BioAgrepa é a marca dos produtos da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia, a Cooperagrepa, localizada no norte do Estado do Mato Grosso. A "Cooperagrepa nasceu da união de pequenos agricultores familiares vindos de todas as partes do Brasil que escolheram fazer da Amazônia o seu lar",é fruto das muitas migrações que marcam a história da região. A BioAgrepa comercializa guaraná, açúcar, melado, café e castanhas, tudo orgânico e produzido de forma sustentável, preservando o território do Portal da Amazônia.

Clique no link para entrar em contato com a BioAgrepa.



7. A Coopes Cooperativa de Produção da Região do Piemonte da Diamantina é obrigatório nesta lista e você precisa visitar o site para conhecer os produtos. Na Coopes você pode comprar não só artesanatos ótimos, como a bolsa da foto, mas docinhos, biscoitos, mel mas também o grande sucesso da região, o licuri, um coquinho da caatinga na região do Piemonte da Diamantina, Estado da Bahia. O licuri pode ser consumido em natura, como aperitivo, pode virar farinha e ser usado em bolos, pudins e pães e ainda há o azeite que pode ser usado como especiaria. Chique perde...

Visite o site e conheça os produtos da Coopes


8. Parceira do projeto Caatinga Cerrado a APAEB está localizada no município de Valente, estado da Bahia e é uma Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira é uma associação sem fins lucrativos que tem como missão promover o desenvolvimento social e econômico sustentável e solidário, visando a melhoria da qualidade de vida da população da região sisaleira. A importância da APAEB é resultado de atividades como a batedeira de sisal que foi fundamental para melhorar a vida das comunidades sisaleiras.

Entre outras iniciativas mantém um núcleo de beneficiamento e produção de maravilhosos tapetes de sisal. Gente, tapete de sisal é tudo, é o que há de lindo, frescos e facéis de limpar e um produto ultra ecológico, ao contrário das fibras artificiais importadas e/ou dos algodões transgênicos. A página está sendo rearranjada e ainda tem alguns problemas mas você pode conhecer os locais e os revendedores do tapetes produzidos na região.

Para saber onde comprar vá até a página de Tapetes de sisal da APAEB


9. A Assema é uma associação das áreas de assentamento no Estado do Maranhão, são áreas que hoje estão voltadas para as pequenas atividades rurais, como o agroextrativismo, a produção de alimentos orgânicos e o processamento de derivados do babaçu, preservando essa palmeira e não mais desmatando. É um projeto importantíssimo considerando-se que o Maranhão é hoje o Estado mais pobre do Brasil e abriga alguns dos mais intensos e violentos conflitos no campo, onde o desrespeito aos direitos dos trabalhadores rurais e ao meio ambiente são corriqueiros.

A Assema representa o esforço dos pequenos agricultores de estabalecer um novo sistema de produção, capaz de melhorar a vida dessas comunidades. Apoiar a Assema é mais do que optar pelo consumo justo, é um ato de prazer. No momento os produtos disponíveis na linha Babaçu Livre ainda são poucos, mas interessantíssimos e vale a pena conferir os produtos que em breve estarão disponíveis.

Conheça a linha de produtos Babaçú Livre da Assema.


10. A Coocaram é uma cooperativa de produtores localizada na região central de Rondônia, na Amazônia Ocidental. É hoje a maior cooperativa de agricultura familiar do Estado. O principal produto da produção dos agricultores é o café e a Coocaram desenvolve e apóia os processos de produção agroecológicos a comercialização via "Comércio Justo". Infelizmente, em função dos solos e da altitude, os grãos produzidos na região são robusta, que eu não aprecio, mas acredito que bebedores de café espresso e café instantâneo estão mais acostumados ao aroma do café robusta. Além do café a Coocaram produz guaraná em pó e frutas secas e desidratadas, perfeitas para a época do Natal.

A Coocaram faz venda direta para o consumir nas cidades sem ponto de venda da cooperativa. A Coocaam tem ponto de venda em todo o estado de Rondônia e em Brasília.
Conheça os produtos da Coocaram os pontos de venda de produtos
e como entrar em contato para adquirir diretamente com o pessoal da Coocaram



11. Arvoredo Brasil, projeto do Instituto Agroflorestal Bernardo Hakvoort (IAF) do Paraná, uma organização não governamental fundada por agricultores, técnicos, professor e um líder comunitário preocupados com a acelerada descaracterização e degradação da Floresta Araucária na região do Município de Turvo e da Região Central do Estado do Paraná. O projeto é formado por 85 pequenas propriedades de agricultores familiares que integram a Coopaflora, com 765 hectares de terras produtivas localizadas a altitude de 1080m onde desenvolvem agricultura orgânica e agroecológica de excelência. Todas as propriedades têm certificação orgânica pela Ecocert e estão localizadas em um dos maiores remanescentes de Floresta com Araucária, um dos ecossistemas mais ameaçados do Bioma Mata Atlântica.

A Arvoredo Brasil oferece chás e ervas aromáticas e medicinais desidratadas orgânicas e certificadas. A Cooperativa tem como principal objetivo a produção e comercialização sustentável de plantas medicinais, aromáticas e condimentares desidratadas, contribuir para a preservação, recuperação e conservação da Mata Atlântica. Conheça a seleção impressionante de espécies cultivadas pelo Arvoredo Brasil. O trabalho deles é lindo e você pode entrar em contato com o pessoal da Arvoredo para saber como adquirir os produtos na sua cidade. Eles também produzem erva-mate-sombreada que é um dos destaques da cooperativa.

Clique no link para baixar o catálogo de produtos da Arvoredo Brasil e saber como entrar contato.



Se preferir faça doações para demonstrar o seu apoio a esses projetos sensacionais:

1. Articulação do Semi-árido Brasileiro é um colegiado de associações e cooperativas diversas que desenvolveu e coordena os mais importantes programas de convivência com o semi-árido brasileiro. A ASA está fazendo história em todo o nordeste com os programs P1MC (Programa 1 milhão de cisternas rurais) que já revolucionou a vida dos beneficiados, famílias rurais pobres na região semi-árida. Já o P1+2 (Programa uma terra e duas águas) é ainda mais sensacional e está revolucionando não só as vidas das famílias envolvidas, mas transformando a vida de comunidades inteiras e municípios isolados e esquecidos pelas autoridades. O P1+2 pode transformar o futuro do Brasil, começando pelo Nordeste. É emocionante. Para saber como doar para o programa 1 milhão de cisternas rurais basta entrar no site da Articulação do Semi-árido Brasileiro.



2. Associação Serracima em Cunha, São Paulo fala a minha língua: agricultura familiar orgânica e desenvolvimento. O projeto da Serracima é apoiar o desenvolvimento rural sustentável em seus aspectos ambientais (recuperação da Mata Atlântica), econômicos (geração de renda para o agricultor familiar) e sociais (reversão do êxodo rural). Poderoso perde! Vai lá e faça uma doação.






3. A iniciativa chamada de Recaatingamento do Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), associado a Articulação do Semi-árido (ASA) é emocionante, é muito mais do que o esforço de conservar a região da caatinga. O projeto é exemplar, meu sonho de consumo, de futuro. Eu queria estar lá, ser uma parte do projeto de recaatingar, uma coisa lindíssima. Vocês sabe do quanto eu sou apaixonada pela caatinga e o projeto é digno da região.

Uma das metas mais importantes e audaciosas do Recaatingamento é contribuir com o sequestro de carbono da atmosfera e o desafio de "recaatingar" áreas dos sete Fundo de Pasto das Comunidades Recaatingueiras evitando assim a liberação de 123 mil toneladas de CO2. Você tem noção da maravilha que isso significa? Gente, esse projeto é de chorar de lindo, emocionante. Minha, cara, minha alma, eles me tem de corpo inteiro e eu não faço parte.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Biscoito de polvilho azedo: porque amido de mandioca não é tudo igual



Como boa carioca que sou, reservo um lugar todo especial no meu coração para o biscoito de polvilho, resultado de registros profundos desse biscoito na minha memória gustativa. Entendo que as pessoas costumam tratar com ternura e pouco senso crítico as comidinhas que comiam quando eram criança, ainda que essas mesmas comidas eventualmente não resistam a uma análise um pouco mais elaborada quanto aos seus benefícios ou valores alimentícios.

O biscoito de polvilho resiste ao meu senso crítico e passa lindo no meu teste de qualidade adulto (ham-ham) por ser um biscoito assado, muito aerado e por isso leve, sem glútem e cuja receita pode ser adaptada para torna-lo securo para diversos tipos de dietas, por exemplo, o leite pode ser substituído e o biscoito pode ficar livre de lactose, já sendo livre de glútem, gorduras trans e ainda assim continuar super saboroso!



Biscoito de polvilho pode ser preparado de diversas maneiras, com a adição de ervas e especiarias diversas que garantem ainda mais sabor e prazer ao biscoitinho crocante. O céu é o limite. O que é fundamental para um bom biscoito de polvilho é a qualidade do polvilho. É o tipo de polvilho que garante que o biscoito de polvilho fique crocante e para isso você precisa usar sempre polvilho azedo. O polvilho certo faz toda a diferença no resultado final e eu aprendi isso por ter experimentado e comido muito biscoito de polvilho feito com o polvilho errado.

A Neide, do Come-se, fez há uns anos atrás uma postagem que considero fundamental entitulada Radiografia da Mandioca e que eu recomendo a todos que leiam. A Neide explica não só alguns dos principais processos usados para se fazer farinha de mandioca, mas gomas e os diferentes polvilhos de mandioca. São só alguns dos processos mesmo pois nesse Brazilzão há ainda mais farinhas de mandioca do que aquelas listados ali.



Sobre o polvilho doce a Neide explica o seguinte:

"Polvilho doce é a goma desidratada até virar um talco bem fino. Quando hidratado e aquecido, dá bastante liga, portanto, é bom também para fazer beijus e tapiocas. Com líquido e aquecido, forma um mingau cremoso e transparente, com bastante liga. Pode ser usado para fazer pãezinhos, bolos, brevidades"

Leia o texto original aqui

e sobre o polvilho azedo:

Polvilho azedo, como já disse acima, a água com o sumo da mandioca é deixada com a goma sedimentada para fermentar por cerca de 10 dias ou mais. O polvilho tirado daí estará bem ácido e confere sabor ácido agradável aos preparos, além de permitir maior expansão: pães de queijo e biscoitos de polvilho crocante, por exemplo. O mingau feito com ele é mais escuro, transparente, cremoso e macio (tem proporção maior de amilopectina, responsável pela maciez e transparência, em relação à amilose, cujo teor diminui com a acidez).

Leia o texto original aqui




Biscoito de polvilho azedo salgado

Estes biscoitos foram feitos graças a generosidade e a amizade de Alcina uma portuguesa muito especial que me enviou o polvilho pelo correio. Taí alguem que entende bem de brasilidades. Obrigada mesmo, querida Alcina.


250 gramas de polvilho azedo
100 ml de azeite extra virgem (use o óleo que preferir, eu uso azeite tanto no pão de queijo como no polvilho pois o sabor fresco fica delicioso)
125 ml de leite
125 ml de água fria
1 colher de sopa rasa de sal (foi muito)
1 ovo

Como:

Aqueça o forno a 220C e forre pelo menos duas formas bem grandes com papel manteiga. Eu uso duas formas grandes e vou administrando a massa entre elas aos poucos. Como coloco uma forma de cada vez no forno, a medida que uma forma entra no forno eu faço mais biscoitos na outra forma. Quando os biscoitos saem do forno numa forma eu coloco a outra para assar. E enquanto uma forma assa eu transfiro os biscoitos da forma forma que acabou de sair do forno, deixo esfriar levemente, troco o papel se necessário e faço mais biscoitos enquanto a outra forma está no forno assando.

Num pote grande ou na bacia da batedeira coloque o polvilho e o sal. Numa panelinha esquente o leite com o azeite, mas não deixe ferver. Adicione a mistura de leite e óleo ao polvilho e com uma colher de pau mexa bem para incorporar. Misture o ovo com a água e bata bem para incorporar totalmente. Vá adicionando a água aos poucos. A massa feita com polvilho azedo fica perfeita feita com as mãos usando apenas uma colher de pau. O polvilho azedo é levemente granulado e funciona diferente e é mais fácil do que a massa feita com polvilho doce.

Quando a massa estiver homogênea e macia coloque num saco de confeiteiro e forme biscoitos no formato que desejar nas formas forradas deixando um bom espaço, cerca de 2 cm entre eles, pois os biscoitos vão crescer.

Leve para assar por 15 minutos ou até que estejam levemente dourados. Atenção pois queimam rápido.

Rende uns 6 tabuleiros (biscoito pacas, mas acabam rápido!)


Obs. Como já mencionei em postagem anterior, a massa feita com polvilho doce, ou amido de mandioca simples, vira uma cola e é um tanto difícil bater com a batedeira e impedir que a massa subisse pela pá da batedeira fixa e, nesse caso, o melhor seja o liquidificador ou uma batedeira de mão. A massa no fim fica linda e muito fácil de usar no saco de confeiteiro mas demora mais para dar uma liga.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Torta de framboesas e amêndoas e um coração partido...



Um certo caos no Rio estes dias, meu Rio, minha cidade, minha casa. Minha cabeça não relaxa, uma ansiedade, uma vontade de ver aquilo tudo passar de uma vez. Tinha que começar uma hora, não havia jeito, mas é muito difícil deixar de ficar tensa com um batalha dentro de uma cidade, da minha cidade. Mas faz parte do processo de mudança e eu acredito nisso. Meu pai acredita nisso, meu irmão acredita e eu também. Como já escreveram por aí, não vai acabar com a desgraça do tráfico de drogas já que é uma praga planetária, mas vamos mudar a face das favelas e re-organizar a cidade maravilhosa.

Mas, enfim, ontem eu fiz uma torta para minhas amigas americanas, planejava publicar aqui em referência ao tal dia de ação de graças que os americanos gostam tanto, que minhas amigas americanas gostam tanto, mas não deu. Mas hoje deu e aqui está.



Essa é uma tortinha muito simples, bem no estilo britânico, daquelas onde o recheio de frutas e amêndoas fica embaixo e por cima é vai uma camadinha de massa rústica, quase um crumble. Há quem chame de essa de torta de Nantucket, uma referência a ilha de Nantucket na Nova Inglaterra. O componente americano da torta são os oxicocos, recheio tradicional da torta de Nantucket e conhecido em inglês como cranberries. Oxicocos são nativos da América do Norte e tem uma papel interessante na história da ocupação européia da Nova Inglaterra. Ao que parece os primeiros colonizadores que se instalaram na região estavam morrendo de fome até que os índios locais os apresentaram aos oxicocos, o que os teria salvo da fome. Daí os muitos usos simbólicos de oxicocos essa época do ano nos EUA.

Minha torta é inspirada na torta de Nantucket mas não leva oxicoco, claro, aqui a praia é outra. Eu fiz uma torta com framboesas orgânicas que colhemos no nosso jardim em agosto e que estavam congeladas. A torta ficou ótima, boa para ser servida morna. O sabor das framboesas é forte, mas tão forte que precisa de um pouco de creme, sorvete ou iogurte para contrabalançar. Servi com iogurte com baunilha e ficou perfeito. Eu assei numa forma de coração, meu coração, que anda levemente partido enquanto a maré no Rio não se acalma...




Torta de framboesas e amêndoas

inspirada nesta Torta de Nantucket


300 a 400 de framboesas descongeladas ou frescas (use a fruta que desejar, afinal, framboesa é uma fruta difícil)
2 dl de açúcar
2 dl de farinha de trigo
1,5 dl de amêndoas levemente processadas para formar uma farinha grossa
1 colher de sopa de licor de amêndoas ou uma colherzinha de chá de extrato
2 ovos
100 gramas de manteiga mole

Como:

Aqueça o forno a 180C. Unte uma forma refratária ou uma forma redonda de torta com manteiga. Coloque as framboesas já derretida e salpique com as amêndoas picadas e depois com 0,5 dl de açúcar. Numa tigela bata a manteiga com o açúcar, usando uma colher de pau, adicione então a manteiga e bata bem. Adicione o licor de amendoas (ou extrato) e continue batendo com a colher um pouco mais. Por fim adicione a farinha de trigo, aos poucos. Coloque a massa na forma preparadad, sobre o recheio de framboesas, amêndoas e açúcar e espalhe com uma espátula para que a massa cubra toda o recheio. Leve ao forno por 30 a 35 minutos ou até que a massa esteja dourada e o recheio borbulhando. Deixe esfriar bem antes de servir mas sirva a torta ainda morninha com creme chantilly, sorvete ou iogurte.

Serve 10 a 12.




Os passarinhos da foto são um item novo na cozinha, foram colocados na fruteira pela menina Estelinha que cansou-se deles decorando a cortina do quarto dela e resolver achar para eles um novo endereço. Eu totalmente aprovei os passarinhos na cesta de frutas...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Pensando em Copenhagem



Estive em Copenhagem numa conferência bem legal onde apresentei o trecho de um artigo meu, parte da minha pesquisa, sobre alimentos orgânicos e agricultura familiar em Pernambuco. Foi divertido circular sozinha (sem marido, nem filhos) pela cidade onde até então eu só tinha estado acompanhada pela tropa toda. Divertido conhecer a Universidade de Copenhagem, observar as pessoas, o que comem, encontrar brasileiros interessantíssimos por lá, como sempre, que também estavam apresentando trabalhos e isso foi totalmente sensacional. Tive tempo para rever a cidade e dar umas boas bandas por Copenhagem durante os três dias que estive lá. Deu para circular descompromissadamente pela região central, perto da universidade e do hotel onde estava hospedada e estabelecer novas verdades relativamente absolutas para a minha vida.



Quando eu sai de Trondheim estávamos enfiados em mais de meio metro de neve com uma temperatura de -10C e por isso chegar em Copenhagem, onde fazia +7C, foi uma maravilha. Estava chovendo, ventava e os dias foram nublados, mas a temperatura estava agradável e eu estava muito bem agasalhada. Eu gosto de Copenhagem, é uma cidade bem interessante mas dentre as três capitais escandinavas fica em terceiro lugar, sendo então aquela de que eu "menos" gosto. Eu adoro Oslo, naturalmente, sinto que Oslo fala comigo em tom de intimidade, de igual para igual. Além disso, Oslo me parece uma cidade que convida as pessoas a sairem do óbvio, do consumo generalizado estandartizado e do superficial.

Oslo convida os visitantes a fazer entradas mais transversais na cidade e na cultura. Oslo é visivelmente mais difícil para aqueles que preferem a superficialidade das ruas e a estandartização dos espaços, ainda que em Oslo também não faltem calçadões e as opções de sempre como redes de hambúrgueres baratos. Mas eu fico feliz por não haver, por exemplo, Starbucks em Oslo. Espero que não abra um enquanto escrevo esta postagem, era só o que me faltava. Mas me dá um certo alívio ver que ainda predomina ali a jeito norueguês de beber café.



Aqueles que gostam de viajar o mundo sem mudar de hábitos poderão se sentir incomodados pois Oslo é, na minha opinião, a mais "fechada" das cidades da europa ocidental, o que me faz apreciar ainda mais a capital norueguesa. Gosto dessa atitude, meio que reflexo da atitude independente dos noruegueses. Eu também gosto de Estocolmo, uma cidade bonita pacas, mais imperialista e gigantista por um lado, mais cheia e com mais opções, inclusive as tais opções estandartizadas. Ali há tanto restaurantes, como cafés de rede para todos os gosto. Já falei aqui o quanto eu detesto redes? Acho comida de redes uma pobreza absoluta, mas há quem goste e quem faça resenha (sic). Mas como já dizia o poeta de Vila Isabel, "cada um come o que gosta". Em Estocolmo há um sem número de excelentes opções de cafés, bares e restaurantes únicos e fantásticos, coisa que só se encontra ali e os melhores preços da escandinávia e isso e importante já que essa região é cara.

Mas não era sobre Copenhagem? Apesar de lindinha eu acho Copenhagem um tanto apertadinha e pode ficar cheia demais dependendo da época do ano e desta vez estava cheia. Uma multidão para todos os lados. Difícil de andar no centro, já que quase tudo se concentra ali no meinho do centro, muito bares, muitas redes, mas boas opções únicas e exclusivas.



Desta vez me incomodou bastante o cheiro de cerveja velha no ar, um cheiro que sempre me lembrava, um tanto negativamente, Amsterdã e Londres. Enfim, circular pelos centros urbanos de orgulhosos produtores de cerveja tem dessas coisas. As confeitarias, como sempre, foram o mais interessante. As confeitarias são tão interessantes quanto as francesas e, na minha opinião, sem o estresse de Paris. Assim como me encantei com as confeitarias suíças, me encanto sempre com as confeitarias dinamarquesas, o que me leva a crer que as confeitarias francesas são mesmo, por demais, super valorizadas. As confeitarias de Copenhagem estavam cheias de pães de marzipã, tara destes povos nórdicos e minha também. É marzipã com tudo nesta época de natal.

Ainda que fique em Copenhagem aquele que alguns críticos consideram o melhor restaurante do mundo eu passei ao largo das inovações. Eu ciculei muito mas comi pouco, de tudo o que experimentei amei mesmo um pão de ruibarbo com marzipã e avelãs que era tão inesperadamente bom que serviu para despertar em mim a vontade de fazer essa mistura em casa também. Circulei muito, comi umas coisinhas diferentes, bebi coisinhas diferente e outras nem tanto: numa confeitaria onde tudo era orgânico (que me chamou pelo nome, claro) achei uma bebida a base de açaí fantástica e que me encantou de tal forma que me deu vontade de gritar. Pois é, açaí em Copenhagem pode provocar as mais loucas viagens...



Mas no fim, não fossem as pequenas surpresas e os cantinhos diferentes, eu diria que circular pelas grandes cidades está cada dia mais chato. Nunca fui de gostar de ficar gastando e comprando montes de coisas, na verdade o consumo inútil de viagem me dá até irritação. Mas eu acho que mesmo para quem gosta de circular, para comprar coisas, a coisa deve estar chata e ficando cada dia pior. Tudo o que vejo são as mesmas cadeias de lojas que se encontra em todas as grandes cidades do mundo, em Trondheim inclusive e não há nada diferente. Será que é isso mesmo? Será que todo mundo quer comer e se vestir do mesmo jeito? Ou será que eu é que sou uma mala sem alça? O mundo está tão adolescente...

domingo, 21 de novembro de 2010

Pudim de leite com cumaru no copo



Povo esta semana está boa, muito boa. Voltei de Copenhagem com esta postagem começada, comecei-a durante a última noite que passei naquela cidade, mas desde então não consegui uma oportunidade sequer para sentar diante do blogger e acabar. Loucura total, muitas coisas boas rolando ao mesmo tempo e muita expectativa e excitação. Parece que finalmente 2010 resolveu começar para mim. Este foi o pior ano da minha vida mas, ao que parece, agora a coisa começou a andar para a frente. Estou feliz por ter ao meu lado um homem como o Per, ele é o melhor companheiro de viagem (i.e. vida) que eu poderia ter. E fico feliz por estar cercada por tantas pessoas especiais.

Hoje (quando escrevi isto era sexta, 19 de novembro) é aniversário de uma dessas pessoas especiais, uma querida amiga francesa que vive em Oslo que me enche de atenção e carinho e que não imagina o papel fundamental que tem na minha vida. Benedicte, querida, você me ajudou muito a recuperar a sanidade, a esperança e a acreditar na capacidade humana de se renovar.



Algumas coisa boas para compensar tantas coisas ruins ou tristes que marcaram este ano desastrado. Mas fica claro que as coisas boas são infinitamente mais poderosas do que as ruins, pelo menos isso, não? E nessa hora fica ainda mais claro o poder que tem a amizade e a amizade virtual incluída. Para quem tem um amigo, eu diria, basta um, ou uma! Felizmente eu tenho mais do que uma e hoje gostaria de agradecer a generosidade de algumas amigas. A generosidade de vocês todas me ajudou muito. Por isso, obrigada Benedicte, obrigada Camila e obrigada Alcina, só para citar algumas que foram muito importantes nas pequenas coisas que fizeram este mês o melhor de 2010. Foram tantos presentes estes mês que temo me acostumar a viver num mundo de gentilezas...



E fiz este pudim no copo, adoro assar coisinhas em copos ou jarrinhas com tampa já que dá para fechar na hora de colocar para gelar sem problema. Pudim de leite com semente de cumaru fomam um par perfeito. Eu estou usando direto minhas semente de cumaru e quem tem cumaru definitivamente não precisa de baunilha. Desde que ganhei vários saquinhos já usei minhas cumarus em diversos usos: geléia de ameixa, doce de abóbora, doce de leite, bolo, muesli e para ler mais sobre cumaru clique aqui. Ainda não publiquei meu doce de abóbora com coco e cumaru, mas espero em breve mostrar a belezinha que ficou. Por hora fico no pudinzinho, facílimo de fazer e puro prazer.




Pudim de leite com cumaru


1 litro de leite
2 dl de açúcar
1 semente de cumaru
6 ovos

Calda

1 dl açúcar
1 dl água


Como:

Primeiro prepare a calda levando o açúcar com metade da água (0,5 dl) ao fogo médio. Deixe que o açúcar derreta e caramelize, sem mexer. Muita atenção pois quando o açúcar começa a amarelar a coisa é rápida. Por isso, quando o açúcar começar a adquirir a coloração ambar retire do fogo imediatamente e com muito cuidado, esticando o braço para longe do rosto, adicione o restante da água para afinar um tantinho a calda. Vai espirrar horrores e todo cuidado é pouco nesta hora. Crianças devem ficar bem longe de você! Se você gosta de calda grossa não adicione mais água, mas a água ajuda a baixar a temperatura e interromper o processo de caramelização e evita que o açúcar queime demais e fique uma calda muito escura. Se deseja afinar a calda adicione mais água fria no final. Se por acaso a calda embolar com a adição da água, leve a panela de volta ao fogo baixo até que o açúcar que empedrou derreta novamente e então use a calda. Cuidado com o calor para não engrossar ou queimar demais a calda. Divida a calda entre 6 a 8 copinhos de vidro ou jarrinhas com vidro comum e reserve. Uma colher de calda em calda um está de bom tamanho.

Pudim:

Aqueça o forno a 180C e ferva cerca de um litro de água para o banho-maria. Numa panela de fundo grosso coloque o leite e a semente de cumaru. Leve ao fogo médio e deixe que ferva lentamente. Numa tigela grande misture com um fouet o açúcar aos ovos, batendo bem para aerar. Quando o leite ferver coloque o leite fervendo sobre a mistura de ovos e açúcar, mexendo vigorosamente enquanto transfere o leite. Coloque o leite aos poucos sem parar de bater a mistura com o fouet para os ovos não talharem. É uma coisa que demanda a habilidade de usar os dois braços ao mesmo tempo, com um braço bate-se os ovos e com a outra segura-se com cuidado a panela de onde jorra o leite fervido. Parece complicado, mas não é, mas leite quente é leite quente. Com uma colher remova a semente de cumaru e retire a espuminha do leite que forma na superfície do pudim. Quando vamos deseformar não precisa remover espuma, mas quando vai ser servido no copo pode ficar mais bonito sem marcas de espuma. Divida a mistura nos copinhos ou potes com calda. Coloque os copinhos numa forma grande e cubra com água fervendo até atingir um pouco abaixo da metade da altura dos pote/copos. Asse por 25 a 30 minutos.

Retire do forno e deixe esfriar totalmente.

Leve para gelar e sirva gelado.

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