sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Um Sorteio Especial: Groselhas e Minha Geléia de Groselha




Depois que eu anunciei o sorteio especial que resolvi fazer para comemorar o natal/ano novo/aniversário de quatro anos do blog, leia tudo sobre o sorteio aqui, eu recebi diversos emails de leitores que relatam nunca terem visto, nem provado, uma groselha de verdade. E, para dar vontade, aqui estão elas... As groselhas, inglês chamadas redcurrants e em francês groseilles são muito comuns por aqui, um arbusto selvagem que hoje em dia se encontra em todos os jardins. As frutinhas crescem em cachinhos, como mini uvinhas e por aqui podem ser vermelhas ou brancas. As vermelhas são mais comuns e por aqui usa-se para fazer geléia e sucos.

Se você está acostumado com aqueles xaropes de groselha ultra doces, esqueça. A única semelhança entre a minha geléia e aqueles xaropes que banhar sorvetes é a cor, já que a cor do suco de groselha é exatamente a mesma. Mas o sabor é uma coisa totalmente diferente. A groselha de verdade é doce e azedinha ao mesmo tempo, mas de sabor indescritivelmente suave, mas característico. É uma frutinha muito suculenta, como as uvas e perfeita para sucos e refrescos. As crianças adoram, cercam os arbustos carregados e se enchem de comer as frutinhas suculentas. Por aqui costuma-se usar a groselha em par com as berries de sabor mais forte como a framboesa, morango e os mirtilos em sucos concentrados naturais. Elas são lindas e por isso usadas para decorar sobremesas e acompanhar pratos salgados. Ainda combinam com alguns tipos de queijos e carnes de caça.




Um dos problemas da groselha é a semente, já que a groselha tem uma semente bem grandinha no meio e que precisa ser retirada e/ou peneirada. Por causa da semente e do alto conteúdo de pectina a maior parte das geléias de groselha são produzidas como uma gelatina, usando apenas o suco peneirado e depois gelificada a partir de mistura com açúcar.


(Esta geléia de groselha, produzida na França é a geléia mais cara do mundo)


O interessante é que a geléia mais cara do mundo é uma geléia de groselha feita na França onde as profissionais experientes retiram as sementes com um pena de ganso e depois usam a polpa inteira da fruta, inclusive a cascas para fazer a geléia. A foto da geléia mais cara do mundo é do blog FX Cuisine que entrevistou o produtor francês da geléia de groselha que supostamente é a geléia mais cara do mundo.



Se você vencer meu sorteio vai receber, entre outras coisas, um potão de 350g de geléia de groselhas feita por mim. Minha geléia é feita com groselhas orgânicas e adoçada com açúcar de cana não refinado orgânico. A geléia de groselha pode ser consumida como uma geléia qualquer, com torradas, pães e biscoitos mas fica perfeita servida juntamente com uma tábua de queijos, com carne de carneiro ou de cabrito, ensopados e também pode ser derretida e usada em cocktails por exemplo. Pode ser usada para dar cor e sabor a molhos e marinadas.

A minha geléia de groselha é baseada numa receita de família, do caderninho da minha sogra e eu já publiquei aqui no blog. Para ver minha receita clique aqui.

Não deixe de participar do sorteio, deixando um comentário bacaninha nesta postagem aqui e curtindo a página da minha loja no Facebook.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Um Sorteio Especial & Docinhos de Nozes e Coco com Tâmaras (sem açúcar)



Pessoas queridas, minha vida pessoal não andou ajudando meus blogs ultimamente. Foram tantas coisas, mas foi a tristeza o que me afastou de vocês. Fui tomada por uma tristeza paralisante que me deixou sem palavras. Fiquei sem ter o que dizer por semanas. E tenho feito uma força imensa para me animar e pensar em outras coisas, mas nem sempre consigo. Para aqueles que ainda não sabiam, meu pai faleceu depois de quase quatros meses de hospital. Acabou sendo um fato inesperado pois aconteceu quando ele estava muito melhor e nós nos preparávamos para recebe-lo em casa. Uma infecção no pulmão complicou o quadro e ele não resistiu.

A tristeza que toma conta de mim é a pior que já experimentei nesta vida. Já havia vivido esse momento algumas vezes em pesadelos horrorosos, mas na vida real é sempre bem pior. Não há para onde fugir e evitar a dor da perda. A dor e o pesar são imensos, como uma pedra no peito. Esses últimos meses foram horríveis, me senti, me sinto, derrubada. Foi um ano doloroso e eu não vejo a hora dele acabar. Afinal, o final do ano chega sempre carregado de otimismo e esperança de que o ano que começa será mais feliz e que a vida será menos dolorosa. Adoro pensar assim, quero me deixar contagiar.

Meu pai sempre foi um cara muito otimista, a única pessoa neste mundo capaz de levantar o meu astral e me jogar para cima com um olhar, um movimento da mão ou uma frase curta. Eu nunca deixei de aprender com ele. E aquele ser poderoso se foi para sempre da minha vida, não há outra pessoa neste planeta que seja capaz de me iluminar e me inspirar do jeito que ele fazia. Agora preciso aprender a viver sem minha luz.



Mas eu não quero entristecer ninguém com estes relatos. Muito pelo contrário. Quero me animar e preciso deste blog para isso. Este blog é minha grande alegria. Mesmo durante meus longos períodos de ausência eu não deixo de ganhar leitores e receber emails amigos, gentis de todos os lugares do mundo. E por isso voltar é tão importante para mim. Este blog é uma conquista minha que eu não vou deixar para trás, eu amo este blog e as pessoas que eu conheci através dele. E se eu andei muito devagar foi porque um "tronco" pesadíssimo rolou na minha direção. E paralelo a isso ainda há a minha crise pessoal-alimentar que não ajuda muito na hora de criar postagens e, para completar, há a loja que é um "pianão" que eu carrego sozinha. O blog é mesmo o meu refresco.




De qualquer maneira esta postagem é para ser alegre e celebradora. E vem junto com um sorteio especial. Um sorteio para leitores no Brasil. Pátria Amada, Salve, Salve. E, para celebrar o Natal, o ano novo, os quatro anos deste blog (que deixaram de ser comemorados em agosto passado), os dois anos da minha lojinha, em homenagem ao meu pai e a minha amada mãe, eu vou sortear uma cesta de presentes com aquilo que eu mais amo no mundo: boa comida, feita em casa e orgânica.

Como vou para o Brasil novamente no final do mês vou levar comigo uma seleção de coisas que gosto e resolvi fazer um sortear algumas dessas coisas. Um sorteio válido para o Brasil apenas, um sorteio de coisas muitos especiais, feitas por mim: Um pote de 350g de geléia de groselha, um pote de 350g de doce de leite feito por mim e uma garrafinha de 200ml de licor de framboesa também feito por mim. As framboesas e groselhas são do meu jardim, cultivadas por mim e o leite é muito especial, um dos melhores leites orgânicos do mundo.


Como participar:

1. Como habitual, você vai precisar se tornar fã da página da minha loja Doce Vika no Facebook! Minha loja está sempre precisando de apoio. Eu tenho fãs incríveis por lá, mas preciso de mais apoio. Por favor, mesmo que você não entenda nada do que eu escrevo, me dê uma força por lá. Meu negocinho é pequeno e quanto mais fãs, mais atração ele causa no público local. Sério. Preciso de vocês. Para se tornar fã clique aqui.


2. Você depois deixa um comentário bacana aqui no blog explicando porque você gosta de comidas orgânicas feitas sem casa ou sobre seu interesse em participar do sorteio e por que? Mas faça isso se você realmente curte produtos orgânicos e feitos em casa.


3. No dia 6 de janeiro eu vou escolher um comentário, o mais bacana de todos. Nada daquela frieza do random.org que eu vinha usando.


Eu vou chegar no Rio de Janeiro dia 30 de dezembro, vou levar os prêmios comigo, empacotar lá no Rio e mandar via SEDEX. Ainda prometo colocar mais umas coisinhas especiais no pacote... surpresinha. Mais informações sobre o sorteio no pé da postagem...





E para os dias de festa fica uma receita muito fácil de um docinho denso e delicioso. Bata comer um que já alivia a vontade de comer doce.

Docinho de Nozes e Coco com Tâmaras

150g de tâmaras sem caroço
100g de nozes
50g de coco ralado seco sem açúcar + um pouco para enrolar
2 a 3 colheres de sopa de óleo de coco extra virgem

Como:

Coloque as tâmaras no processador, dê uma processada boa, adicione as nozes, o coco ralado e o óleo de coco processe bem até formar uma massa homogênea. Se a massa não ficar bem homogênea processe um pouco mais ou adicione um pouco mais de óleo se achar necessário. Retire colheradas usando uma colher de chá e forme bolinhas pequenas e passe os docinhos em coco ralado e/ou farinha de nozes ou de castanhas de cajú. Coloque as bolinhas num tabuleiro e leve a geladeira para endurecer. O óleo de coco endurecerá e vai dar uma bela consistência ao doce. Coloque em forminhas e deixe na geladeira até servir. Se você estiver em local quente, sirva direto da geladeira.

Obs. Se for usar coco ralado seco dê uma processada nos flocos de coco para ficarem menorzinhos. Se preferir use pistaches, nozes, castanhas do pará ao invés das nozes. Eu comecei enrolando em coco e depois passei para pistaches que esfarinhei num pilão.


Rende cerca de 25 docinhos.



Sobre o sorteio.


O sorteio é válido para o mundo todo, como sempre?

Não. desta vez o sorteio é válido apenas para endereços em território nacional (Brasil).


Por que?

Tive vários problemas com envio de pacotes daqui (Noruega) para o Brasil. Minha mãe deixou de receber dois pacotes bem caros nos últimos seis meses e outros tantos eu não sei se chegaram, ou não, aos destinatários. Algumas vezes me avisam que receberam, outros eu recebo de volta e o que fica é uma sensação de tristeza. Por isso, estava devendo um sorteio exclusivo e seguro para endereços brazuquinhas.

Como fazer para participar?

Para participar deixe um comentário falando o quanto você gosta de alimentos orgânicos e de comidinhas feitas em casa... depois torne-se fã da página da minha loja no Facebook. Para se tornar fã da minha loja no FB clique aqui.

Não é preciso deixar email, nem endereço, nos comentários.


Quando será o sorteio?

Não haverá um sorteio no sentido exato da palavra. No dia 6 de janeiro, eu vou sentar e escolher o comentário mais bacana, sacou? Depois eu anuncio aqui o nome do vencedor e espero que o mesmo me mande o seu endereço por email.



Boa sorte!

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Chocolate Natural com Goji e Castanha de Cajú



Ultimamente eu tenho feito chocolate natural em casa. Eu batizei de "chocolate natural" pois não sei exatamente como chamar este tipo de chocolate que, na verdade, é "chocolate cru". Eu já experimentei várias receitas e acho que finalmente atingi um estágio em que este tipo de chocolate começa a me agradar. Diferentemente das receitas de bombons e chocolates convencionais, que limitam-se a derreter barras de chocolates prontas, o processo do "chocolate natural" é mais complicado pois envolve derreter massa e manteiga de cacau e adicionar sabores e algum tipo de açúcar e/ou adoçantes de sua preferência. As possibilidades oferecidas pelo "chocolate natural" são inúmeras já que você pode adicionar o que desejar e produzir o chocolate do seu jeito. Eu já experimentei receitas ótimas, outras nem tanto e continuo experimentando.

A minha receita de "chocolate natural" perfeita ainda é sonho, há uma boa margem para amadurecimento, da minha parte. Se ainda não encontrei a minha receita perfeita, esta que publico aqui, hoje, é muito boa. O fato é que o "chocolate natural" demanda um pouco mais de esforço já que você vai construir os sabores e aromas do seu próprio chocolate. O que é excitante, é também assustador, e exatamente por oferecer tantas possibilidades fica mais difícil de executar e você pode arruinar os ingredientes se errar nas medidas.


Sobre os ingredientes, bem, o fundamental é uma massa de cacau de boa qualidade e/ou uma manteiga de cacau pura. Se for tudo orgânico melhor ainda. Se por acaso você não tiver acesso a massa de cacau, mas conseguir achar manteiga de cacau pura, experimente fazer usando manteiga + cacau em pó e um tanto de óleo de coco. É uma receita um pouco diferente mas que pode ficar excelente também, principalmente se você usar um cacau de boa qualidade, cacau natural vermelhão, nada daqueles cacaus alcalizados pretos e sem sabor.

O resultado final é muito diferente do chocolate comercial. A diferença entre o chocolate industrializado e o "chocolate natural" é muito grande. A gente que está acostumada com a maciez e os aromas de um bom chocolate estranha no começo a rusticidade do produto mais natural. Mas, depois, passa a apreciar o aroma intenso quente e puro do cacau natural, sem consevante, sem sabores artificiais, sem lecitina. É uma volta ao começo e como todo processo de reeducação do paladar, pode haver algum estranhamento inicial, totalmente justificável e totalmente superável. Vá por mim e experimente, pode ser que você dê sorte de acertar de primeira, e se não acertar, espero que tente outras vezes até achar uma receita só sua...



Este chocolate é pouquíssimo doce e a adição de uma frutinha seca ajuda. As goji dão uma adocicada e ajudam a deixar o chocolate ainda mais saudável já que essas passinhas vermelhas são fonte de betacarotena, vitaminas A, B e C, minerais como calcium, ferro, e muitos amino ácidos

Além disso o "chocolate natural" também é cheio de coisas boas, todos os antioxidantes e gorduras saudáveis do cacau. O segredo é segurar a mão e escolher o tipo de açúcar mais adequado. Se é aquele com menos frutose ou com menor índice glicêmico. Isso fica por sua conta. Por hora eu passo a minha receita e lá no final explico por que eu uso maltose.


Chocolate Natural com Maltose, Goji e Castanha de Cajú

100g de massa de cacau orgânica
50g de manteiga de cacau orgânica
30g de óleo de coco extra virgem orgânico
1 colher de chá rasa de baunilha em pó orgânica
5 colheres de sopa de xarope de malte de arroz orgânico
Algumas gojis secas (opcional)
Castanhas de cajú picadas (opcional)
Pitada de sal (opcional)

Como:

Num banho maria em temperatura bem baixa, coloque a massa de cacau picada, a manteiga cacau picada. Quando derreter completamente adicione a baunilha e o xarope de malte de arroz e, sem tirar a panelinha do calor, mexa com um fouet até o xarope dar uma derretidinha e se incorporar totalmente a mistura. Adicione o óleo de coco e mexa até derreter totalmente. Experimente um pouquinho, veja se está doce o suficiente e, se desejar, adicione mais xarope e/ou outro tipo de açúcar. Coloque a massa em forminhas de silicone, ou forminhas de bombom, salpique algumas gojis e castanhas de cajú picada e coloque na geladeira para endurecer por pelo menos 30 minutos. Retire da geladeira, transfira da forma de silicone e curta.


Dicas:

Na hora de fazer chocolate em casa você pode adoçar a massa de cacau do jeito que você desejar: açúcar de todas as origens e cores, rapadura, mel, xaropes diversos como agave, bordo, yacon, lucuma em pó. Açúcar de outras coisas como açúcar de coco, açúcar de uva, açúcar de beterraba e/ou toda sorte de adoçantes. Sua consciência será seu mestre. Você pode adicionar ainda leite em pó, leite de arroz e até lecitina de soja ou de girassol para dar consistência. Você pode adicionar sabores, como baunilha, menta, amêndoas, pimenta, canela etc... o céu é o limite para a sua criatividade.

Você pode fazer o chocolate usando apenas manteiga de cacau, neste caso você vai precisar adicionar cacau em pó natural puro, não processado. Calcule 6 colheres de sopa de cacau natural para cada 100g de manteiga de cacau. Demais é tudo idêntico.

Por que maltose?

Maltose é o açúcar produzido a partir do processo de produção do malte. Para produzir malte (aquele usado em cervejas, uísque e outras bebidas ) é preciso germinar os grãos de cevada, ou de arroz, colocando-os de molho em água morna para ativar as enzimas. Quando começam a germinar, no processo que produzirá o malte, os grãos desenvolvem uma enzima que transforma o amido dos grãos em açúcar. E assim nasce a maltose. Maltose é o açúcar do malte produzido a partir da conversão do amido de cevada, e/ou arroz, em açúcar. Como todos os tipos de açúcar tem no nome o sufixo "ose", o açúcar do malte é conhecido como maltose.

O que faz a maltose ser tão especial é o fato dela reunir duas unidades de glucose e nenhuma frutose. Diferentemente do açúcar comum, sucrose, que é feito de duas unidades, uma de frutose e uma de glucose. Glucose é o açúcar do bem, o açúcar que alimenta nosso corpo de energia. Já a frutose, bem, se você consome frutose numa banana, numa manga, numa pera ou numa laranja, tudo bem, já que nas frutas a frutose vem acompanhada de água, fibras, montanhas de vitaminas, minerais, enzimas e outras coisas benéficas. Mas se você consome frutose através do açúcar, de bebidas doces e outras coisas doces, a frutose poderá elevar significantemente o risco de você desenvolver diversas doenças. É o excesso de frutose que causa obesidade, diabetes e, pasme, doenças do coração como as que tiraram as vidas do meu irmão, do meu pai, dos meus tios e dos meus avôs... Se você, como eu, tem um DNA com uma pegada forte paa doenças coronarianas, pare de comer frutose que não venha de uma fruta. Além disso, se, como eu, você é intolerante a frutose, você precisa reduzir significamente o consumo deste tipo de açúcar.

Agora me matem se desejar, mas a culpa não é minha: maltose tem alto índice glicêmico. O nosso organismo processa a maltose do mesmo jeito que glucose, demandando produção de insulina do pancreas. Mas eu não tenho problema com o meu índice glicêmico, apenas com os outros males que a frutose pode proporcionar. Essa discussão continua depois. E para terminar, perdão pelas fotos lavadérrimas, falha minha...






quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Queijo Cremoso de Leite Cru, Açúcar e Saudade



Mais um longo silêncio. Perdão. Mas espero que meu maravilhoso queijo cremoso, feito em casa, com leite cru, leite direto da fazenda, compense tanto silêncio.

Sobre a receita o que eu tenho a dizer é que trata-se de uma receita facílima e tudo o que você precisa é de um leite fresco de boa qualidade. O problema reside apenas na sua disposição/interesse em trabalhar com leite cru, não pasteurizado e não homogeneizado. O resultado deste projeto é um queijo maravilhoso, sabor intenso, levemente azedinho, totalmente diferente daquela porcaria comprada pronta... Perdão se você gosta daqueles queijos de caixa e/ou copo, aqueles que não tem gosto de nada... mas este queijo é para quem gosta de queijo com sabor de leite de verdade. Mas antes da receita, sinto que preciso me explicar...

O fato é que eu estou em plena crise existencial e é muito mais do que coisa de idade. Estou no epicentro de um processo de mudança intenso, processo que eu escolhi, crise por livre e espontânea vontade. E, como na minha vida é tudo ao mesmo tempo agora, o blog precisou ficar parado pois eu já não sabia mais o que escrever aqui. Acho que costuma rolar destas coisas. Foi difícil ficar longe, mas era preciso. Eu acredito que ninguém muda sem sofrer. E toda mudança, mesmo quando boa, mesmo quando espontânea, envolve perdas. Mudar significa deixar alguma coisa para trás e, claro, faz brotar um vazio muito grande. Aquela terrível sensação de estar deixando de usufruir de alguma, ou algumas coisas, que, instintivamente ainda consideramos importantes. Dá para entender? Enfim, quando eu falo isso me refiro ao fato de deixar de comer açúcar, a confusão que isso causou na minha vida e neste blog. No fim é muito mais do que deixar de me oferecer o prazer reconfortante do açúcar, de deixar de lado as lindas receitas doces. Abandonar o açúcar significa também deixar para trás uma montanha de certezas e lugares comuns que me protegeram durante muitas décadas.

E sobre isso eu tenho tanto para falar, mas é difícil falar, e mais difícil ainda não falar, não explicar o que se passa comigo. Preciso me abrir e tem que ser aqui, nas páginas açúcaradas deste meu bloguinho, batizado com o sugestivo nome de Sabor Saudade. Primeiramente eu havia planejado uma postagem ultra explicativa, que iria além da minhas razões pessoais, mas não deu. Todas as postagens que eu comecei, e foram várias, ficaram ridículas. Longas e complicadérrimas. Eu me sentia um papagaio, colocando links para lá e para cá... Tentando, sem querer, convencer as pesssoas a me entenderem. E isso, tentar convencer as pessoas de alguma coisa, não é a minha praia.


O assunto "açúcar" é polêmico pois envolve opiniões apaixonadas de todos os tipos e montes de questões científicas. E meu projeto não é ficar repetindo textos científicos. Eu não sou nem médica, nem pesquisadora da área, mas uma pessoa muito interessada pois no meu dia-a-dia eu tento me curar das "rê-bordosas" de uma doença autoimune horrorosa. E quando eu começo a escrever, sobre os diferentes tipos de açúcares e os males que eles podem causar, blá, blá, blá, me dá a sensação de estar vendendo um projeto de vida para as pessoas e não gosto disso. Eu detesto.

O que eu faço é aquilo que escolhi para mim e não acho que ninguém deve fazer o que eu faço. Eu não quero convencer ninguém a nada (exceto a minha mãe, mas ela tem que me aguentar). Por isso, pode ser que a partir de hoje você encontre algumas afirmações generalizadas por aqui, mais do que o normal, mas não se avexe não. Eu posso até tirar algumas dúvidas se for o caso, posso recomendar alguns artigos, mas não vou ficar ditando pesquisa.


Mas o fato é que deixar de comer açúcar e/ou limitar o consumo de açúcar ao mínimo possível, é um projeto de vida ambicioso e complicado que toca direto no sentido existencial neste blog, um blog onde saudade se matou a base de açúcar... nossa, soa triste quando escrito assim.

Enfim, não é fácil enfrentar a verdade pois o fato é que a gente cresce confundindo açúcar com afeto. Açúcar traz a tona nossa memória afetiva de um jeito que nenhum outro tipo de comida é capaz. Açúcar fala no ouvido do paladar afetivo, faz lembrar de receitas de avós, tias e mães, alimenta nossas emoções mais desvairadas. Açúcar esteve na base do Sabor Saudade, ocupou um espaço enorme na vida triste de uma expatriada saudosa de sua terra natal. Durante muito tempo era como se os doces fossem a única coisa que me fizessem sentir mais perto do Brasil, mas depois de um tempo a gente percebe que é mais vício, dependência física, do que afeto. Açúcar não tem nada a ver com afeto.

Mas e aí? Como é que fica um blog com o nome Sabor Saudade? Que durante mais de quatro anos se "alimentou" basicamente de receitas doces? Ele ficará mudado, mas não vai deixar de existir. Vai ser um blog mais esperto, mais seguro, menos dependente de açúcar para ser feliz, mais saudável, mais leve. Eu estou aprendendo a viver longe de casa, sem usar o açúcar como proteção. Parece louco isso, mas hoje eu tenho certeza que usei o açúcar para suprir minha carência de Brasil. Ainda que eu não consumisse muito açúcar, o açúcar era uma presença constante e sua presença, ainda que pequena, teve um papel destrutivo na minha saúde e, na minha vida.

Aos interessados em entender os meus motivos, recomendo assistir ao vídeo Sugar: The Bitter Truth que é o mais fundamental. É uma palestra com o médico Robert Lustig que é um dos muitos médicos e pesquisadores que comprovaram que o açúcar é o verdadeiro vilão da dieta ocidental e o grande causador de obesidade, diabetes, enfartos e doenças cardiovasculares em geral. Açúcar é um veneno que cria dependência física e causa danos seríssimos ao nosso organismo. Se eu não tivesse passado pelo tanto que eu passei, eu talvez continuasse refratária ao conteúdo do vídeo. Mas eu sou a prova que precisava para acreditar e mudar. Mas se você tem alguma dúvida, assista ao vídeo e tire suas próprias conclusões. Eu não tenho diabetes, nem pressão alta, nem colesterol alto, nem nada alto, nem baixo demais. Sou saudável e desejo continuar assim. Preciso controlar o açúcar pois além do mal estar digestivo que ele me causa, açúcar causa doenças cardíacas e minha família tem um DNA vulnerável, as veias então, nem se fala. Sou de uma linhagem nasceu para doenças do coração. Como que eu me viro sem açúcar? O que eu como? Depois eu conto...





Queijo Cremoso de Leite Cru


1 litro de leite de vaca cru, não homogeneizado, nem pasteurizado.

Como:

Leite cru costuma durar uma semana na geladeira, mas quando o leite estiver em seus últimos dias de vida, retire o leite da geladeira, coloque num pote ( cubra ou tampe para evitar que caia alguma coisa dentro do pote) e deixe descansar em temperatura ambiente entre 22-24C por dois dias. Depois de exatos dois dias o leite terá talhado, com ajuda das maravilhosas bactérias amigas que fazem parte do leite cru. Ao talhar o soro do leite se separa dos sólidos. Quando isso acontecer, pegue uma peneira grande, coloque a peneira sobre uma tigela também grande, para colher o soro. Forre a peneira com um pano de prato bem limpo, lavado, ou um saco de fazer queijo ou saco de farinha e coloque o leite para drenar na peneira forrada. Leve a geladeira e deixe que drene por 3 a 4 horas. Depois disso retire da geladeira, pressione um pouco, com cuidado e recolha o queijo cremoso que se formou a partir dos sólidos drenados e transfira para um pote com tampa. Cuidado para não torcer demais o leite e ficar com um queijo muito seco. Guarde o soro você para usar em outras receitas, para assa pães, fazer pickles, bebidas fermentadas e até em vitaminas. O queijo você consome como preferir. Como não tem sal, eu adiciono sal marinho na hora de comer. Dá para temperar com sal, alho, cebola, cebolinha e fazer pastinhas maravilhosas. Dura umas duas semanas em geladeira se bem tampado.

Se você não tem acesso a leite cru experimente fazer com iogurte natural integral sem açúcar. Faça exatamente do mesmo jeito. Guarde o soro e use em outras receitas. O queijo do iogurte terá um gostinho de iogurte... nada mal, né?

Adicione o sal no final, depois do queijo já drenado para evitar que o sal resseque demais o queijo.


OBS. Eu escolhi o vídeo Sugar: The Bitter Truth para explicar tudo o que eu penso sobre açúcar nos dias de hoje, escolhi um vídeo pois é mais fácil de entender. Eu li muitos artigos, pesquisei muito, conversei muito e tenho muita informação para passar. Se você desejar mais informações basta me escrever que eu mando por email.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Felicidade Sem Açúcar: parte 1




Queridos, muito obrigada pelo apoio e pela energia positiva. Não tenho palavras para agradecer a força que vocês me deram. Eu estive no Brasil, mas já voltei, meu pai continua ineternado mas está melhorando significativamente a cada dia, já respira sem aparelhos, está falando e em plena recuperação. Mas ainda não relaxei, impossível relaxar enquanto ele continuar deitado no leito de uma UTI, mas me dou ao direito de ser otimista e de só pensar no melhor. Como ele está se recuperando, é só isso o que importa, ainda que a recuperação completa seja demorada.

Voltei exausta, mais de 12 horas de avião, viagem chatérrima, depois de muitos dias passados inteiros dentro do hospital, entrando e saindo de UTI, dias frios, muitas subidas e descidas entre Rio e Petrópolis, dias tensos, muitas lágrimas e muita ansiedade. Como era de se esperar, peguei uma gripe horrível pouco antes de voltar e só consegui me livrar dela esta semana... E devagarzinho vou entrando no ritmo da minha vida aqui, que envolve família, casa, loja, blog, mais ou menos nesta ordem.

Eu consegui manter a energia e fazer quase tudo o que eu precisava durante as semanas que passei no Brasil, ainda que eu tenha sido forçada a derrubar uma ida à São Paulo. Mas não parei um minuto, apesar da gripe. Acho que foram aquelas neblinas e dias gelados de Petrópolis, aqueles ar condicionados gelados em todos os cantos no Rio. Mesmo gripada eu estava forte, energizada. Nunca segurei uma gripe tão bem, sem tomar praticamente nada, apenas água, água de coco e algumas doses de paracetamol para a febre. Minha energia eu atribuo aos benefícios da minha nova vida, sem açúcar. E por falar nisso eu acho que chegou a hora de explicar melhor minha decisão de parar de abandonar o açúcar.

Pois bem, para quem ainda não sabe vou repetir: eu abandonei o açúcar. Sim. Parei de comer açúcar.

Como? Foi uma decisão lenta, que foi fazendo sentido aos poucos. A idéia me "assombrou" durante mais de um ano e o que parecia assustador está sendo mais fácil do que eu poderia imaginar. E a verdade é que está sendo possível viver sem açúcar. Está sendo mais fácil viver sem açúcar do que estava sendo viver com ele e é sobre isso que eu gostaria de falar.

A minha decisão de abandonar o açúcar, i.e. sucrose = frutose e glucose foi tomada primeiramente como uma experiência, mais uma tentativa de ajudar o meu corpo a funcionar melhor e contribuir para a minha qualidade de vida. Já comentei aqui como vinha sofrendo com problemas de estômago, digestão difícil, azias sem fim, diárias e muito mais, mas não vou entrar em detalhes. Tudo isso começou há quatro anos, quando fiz um tratamento para uma doença autoimune que me derrubou, a doença de Graves, uma doença do hipertiroidismo. Para tratar da doença que estava me fazendo muito mal eu precisei "matar" minha tireóide até então super ativa, para deixa-la inativa, paradinha (hipotiroidismo). Se por um lado os efeitos dramáticos do hipertiroidismo desapareceram, meu organismo mudou completamente, da noite para o dia, apesar de regulado através de hormônios artificiais. E desde então eu tenho sofrido, meu corpo deixou de funcionar do jeito que funcionava e eu sofria calada, sem entender o que se passava. Há anos eu busco entender o que se passa e tento descobrir o que estava fazendo meu corpo me maltratar tanto. O que estava dificultando a minha digestão, causando enjôos e dores sem qualquer explicação. Nenhum exame fazia sentido, nenhum teste de alergia, nada. E eu continuava com dificuldade para digerir, parecia que comia pedra. E foi assim que a busca pela raiz do problema começou.

Primeiro tirei o leite, depois o glúten, depois apenas a farinha branca e nada melhorava. Lendo um artigo sobre efeitos negativos do açúcar na digestão a pulga foi para trás da orelha. De um artigo fui para outro, e outro, e depois outros e um livro, e outro e outros e parei para pensar. Isso há mais de um ano. Sabia que precisava experimentar viver sem açúcar para ver como eu me sentia. Eu já sabia que o açúcar alimenta bactérias ruins, altera a flora intestinal, alimenta canceres, causa inflamações, altera as enzimas digestivas e pode causar um inferno no seu sistema digestivo. Eu precisava de coragem para começar, para desapegar. Não foi imediatamente. No fundo eu ainda achava que não era o açúcar o que me fazia mal. Eu já vinha comendo tão pouco doce... e adiava. Até que chegou a hora. Um belo dia eu decidi, parei, a seco. Simplesmente parei. Sem plano, sem dieta, sem tática. E isso foi há quase três meses. E o esperado aconteceu. Em curtíssimo espaço de tempo eu parei de sofrer. Meu organismo voltou a ser meu amigo. E eu vou contar tudo aqui, em partes.

Antes de continuar a escrever sobre minha experiência, gostaria de lembrar que essa é uma experiência pessoal, uma busca individual. Cada corpo é um corpo, nós somos todos diferentes e mudamos com os anos. Por isso eu não recomendo nada a ninguém. Não recomendo artigos, nem livros, nem dietas, nem vou pregar. Vou apenas relatar a minha maravilhosa experiência. Cada uma que ache a sua.

Quando a gente tem uma doença de tiróide, trata, depois recebe o diagnóstico de que está tudo certo com seus hormônios, a gente tende a acreditar que tudo vai ser como antes. Mas não é. Ninguém vai levar a mesma vida depois de ter desenvolvido uma doença autoimune do hipertiroidismo, muito menos depois de transformar essa mesma doença em hipotiroidismo controlado por hormônios. Hipotiroidismo, controlado com hormônios artificiais não é uma vida normal, não para uma pessoa que viveu mais de 40 anos com uma tiróide hiper ativa. Para mim, a convivência com o hipotiroidismo está sendo exatamente como viver uma outra vida.

E como é viver sem açúcar? Está sendo muito tranquilo. Mas já foi irritante, a abstinência, exatamente como em outros hábitos e vícios, causa irritação. E há uma fase de irritação, de boca seca, de mau hálito. Há um período para desintoxicar, que passa e há outro de libertação, de tomada de poder. O que fica é o bem estar, o estômago leve e feliz.

Como aguentar? Há truques, há segredos e há prazeres. Eu vou contar tudo, para quem estiver interessado e este blog vai ser muito mais legal. Com e sem açúcar... Me aguardem!

sábado, 25 de agosto de 2012

O mundo gira e a Lusitana roda....



Caríssimos. Perdão pelo longo silêncio. O que era para ser uma breve parada, por conta das férias de verão, tornou-se um imenso intervalo de silêncio, enquanto tinha montanhas de coisas legais para contar e mostrar. Uma imensa confusão tomou conta da minha vida recentemente e acho até supreendente que eu tenha conseguido relaxar e sentar para escrever esta postagem.

Estava louca para escrever, para contar, para dividir minha dor e minhas experiências. Fiz muitos planos para esta postagem e espero conseguir escreve aqui um pouco do que eu planejei. Minha vida virou, ficou de pernas para o ar desde a última postagem, naquele já distante mês de julho. Muita coisa rolou este verão (não esqueçam que aqui é verão), coisas boas e ruins e a parte ruim tirou o meu chão e me deixou silenciosa, sem muita força para escrever, mesmo quando desejo muito, não consigo.


Primeiro a bomba, que abalou o meu aqui distante porto seguro: meu pai está muito doente no Rio de Janeiro. Teve uma trombose com complicações nos rins e está desde de final de julho internado. Depois de muitos erros e acertos e diagnósticos eu finalmente estou de malas prontas. Viajo hoje e amanhã vou poder ficar um pouco com o meu pai, ficar de plantão e de vigília, na esperança que ele se recupere. Este processo não foi fácil. Um dos dramas de viver longe de casa, em terra estrangeira, é exatamente este. A gente que tem uma vida estabelecida longe de casa não pode, num piscar de olhos, se materializar do outro lado do oceano. E ter que ficar longe, enquanto alguém que a gente ama muito precisa da gente, é talvez a pior das experiências que alguém pode ter nada vida.

Meu maior pesadelo sempre foi este, imaginar que meus pais poderiam ficar doentes, precisar de mim e eu presa aqui, sem poder embarcar imediatamente. Mas o dia da minha viagem finalmente chegou e amanhã desembarco no Rio de Janeiro. Depois eu conto como tudo correu, com o meu pai e comigo.

E assim passou-se o último mês. Ansiedade, muita ansiedade. Dias cheios, poucas horas de sono e muita tensão. O que ajuda a relaxar é o fato das tarefas domésticas multiplicarem-se durante o verão. São tantas coisas para fazer, tarefas diárias, tantos compromissos, principalmente com a loja e o dia-a-dia da família, da casa e do jardim.

Fora o drama familiar e a loja que devora muito tempo e minha energia, agosto foi um mês de verão, com muitos dias de sol e calor. As framboesas, groselhas e mirtilos gostaram muito deste mês de agosto e frutificam sem parar. Colhemos muitas framboesas no nosso jardim e milhões de groselhas no jardim do vizinho que as detesta. E eu já fiz de tudo um pouco com elas, além de encher os freezers de framboesas, groselhas e mirtilos para os dias sem sabor do futuro inverno.

Espero ter energia para voltar e mostrar tudo. Por hora queria



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Hummus (hamos, houmous, hommos, hommus, hummos ou hummous) de Espinafre



Para minha alegria, o nosso jardim está produzindo montes de espinafres este verão. E mesmo diante de alguns fracassos (parte dos vegetais que plantamos este ano não gostaram do verão norueguês) eu estou imensamente feliz com os resultados do ano pois meus espinafres, rúculas e salsinhas estão dando que é uma beleza este ano. Eu em geral me dedico mais as frutas, das framboesas, ameixas e maças. O Per é quem trabalha mais pesado com as "camas" de vegetais. Mas este ano eu me dediquei um pouco mais pois desejo colher muito espinafre e está compensando. Espinafres é uma das minhas folhas favoritas e cai bem em tudo...


Diante da fartura de espinafres, eu tenho aproveitado para coloca-los espinafres em tudo o que posso. Eu adoro em saladas, com raspinhas de maça e pepino e molho de azeite de avelãs. Adoro adicionar em vitaminar, para energizar ainda mais. E em todo tipo de molhos e sopas, para deixa mais nutritivo e dar cor. Hoje eu resolvi misturar com o grão de bico e fazer um hummus de espinafre. Não coloquei muitas folhas, apenas duas xícaras e, por isso, não esverdeou demais. Mas dá para colocar mais, adicionar um tanto de água para não ficar grosso demais e bater junto com os demais ingredientes.

Mas cuidado: Espinafres orgânicos produzidos no quintal de casa promovem uma carga incalculável de alegria e prazer, controle-se...




Meu Hummus de Espinafre



200g de grão de bico cozido
100 a 200ml da água do cozimento do grão de bico
4 colheres bem cheias de tahini (massa de gergelim pura)
100 ml de suco limão (use menos ou mais se desejar)
2 dentes de alho
2 xícaras de espinafre fresco lavado
sal a gosto
pitadinha de cominho em pó (opcional)
3 a 4 colheres de sopa de óleo de gergelim não refinado (prensado a frio)
4 a 6 colheres de sopa de azeite extra virgem (use mais ou menos, se preferir)
1 xícara de salsinha picada (use mais, ou menos, se preferir)
paprica para salpicar (opcional)
curcuma para salpicar (opcional)

Como:

Deixe os grãos de bico de molho em água fria por uma noite. No dia seguinte escorra a água do molho, lave os grãos e coloque-os numa panela. Cubra os grãos com água fresca, leve a panela ao fogo médio e deixe que o grão de bico ferva até cozinhar (30 a 40 minutos). Depois de cozidos, escorra a água e reserve parte dela para processar a mistura. Importante começar a preparar o hommus enquanto os grãos ainda estiverem quentes pois eles vão formar uma mistura mais homogênea quando processado quente. Coloque os grãos ainda quentes no copo de um liquidificador/processador/mixer de mão. Adicione o tahine, o alho, os espinafres, uma boa parte da salsinha e uma parte da água, o suficiente para ajudar a bater a misturar. Processe até obter uma espécie de vitamina bem grossa (de 1 a 2 minutos). Abra o liquidificador/processador e adicione o óleo de gergelim, o suco de limão e mais água, se necessário, e processe um pouco mais (1 a 2 minutos). Prove e adicione sal, pimenta do reino, cominho e mais limão e água, se necessário, e processe um tanto mais. Transfira para um tigela, faça uma cova no centro, adicione o azeite e a salsa picada. Salpique curcuma e paprica e sirva do jeito que preferir. Eu deixo esfriar antes de servir. Mas sirva quente se desejar.



Obs. 1 - O segredo de um bom hommus está na textura. Há quem prefira hummus mais aguado, outros hummus mais grosso. O segredo é processar quente, usar a água do cozimento comedidamente, adicionando aos poucos. Nada de derramar uma xícara de água quente no liquidificar e depois ficar com um hommus aguado... Adicione água aos poucos.

Obs. 2 - A adição do espinafre não altera o sabor, pois espinafre não tem gosto de nada, mas altera a textura e você vai precisar adicinar mais água do que o normal para obter uma boa consistência na hora de processar. Se usar espinafres congelados (o que eu não recomendo) vai precisar de menos água.

Obs. 3 - O tempero do hummus fica ao gosto do freguês. Use menos alho se preferir e mais ou menos suco de limão. Alho e limão fazem um bela diferença no resultado final. Eu sempre uso alho demais, mas gosto assim. Se preferir um sabor mais suave de alho, use um dente apenas. Também adoro usar bastante óleo de gergelim, tahine e suco de limão. E só adiciono azeite no final. Eu também adiciono um tanto de salsinha na hora de processar.



PS. Lembre que sexta-feira é o último dia para comentar e concorrer a um pacote de 200g de giandujotti...






quarta-feira, 11 de julho de 2012

Meu Angu com Molho de Carne Moída: Mas Chame de Polenta se Desejar...



Vou entrar fazendo uma declaração radical. Eu não tenho paciência para produzir fotos de comida. Zero disposição para produzir e fotografar. Com fome então, nem se fala, simplesmente não consigo. E este é o principal motivo pelo qual eu raramente publico pratos salgados neste blog. Eu cozinho para a minha família e, consequentemente, é difícil cozinhar e fotografar antes de servir jantar. Está todo mundo com fome, eu inclusive, não dá para esperar. Mas eu estou tentando mudar isso já que estou tentando dar uma nova direção a este blog. Ainda que o cardápio salgado seja muito simples, e vou me esforçar para quebrar o padrão e mostrar muita "jantinha" por aqui.

Mais uma declaração radical. Eu estou deixando de comer açúcar (sic). Espero que ninguém tenha caído da cadeira diante desta revelação. Sim, desejo parar com o açúcar mesmo, mas ainda não é um parar radical. Mas já estou reduzindo muito, substituindo açúcar refinado eu já substitui. Mas quero ir mais fundo, dar uma desintoxicada. Açúcar é um assunto longo e delicado, mas tenho tanta coisa para falar sobre ele que acho que preciso começar uma série de postagens sobre isso.

(Angu deliciosamente encoberto por uma nuvem verde de rúculas e espinafres do jardim)

(E com uma camada de salsinha fresca picada, também do jardim)


Mas, enfim, uma nova tendência se desenvolve por estas páginas, a começar pelo aparecimento de um número maior de pratos salgados, ainda que representados por fotografias cada vez mais mambembes. Sinto informar, mas a paciência para fotografar está me abandonando, equipamento novos e pesados já não me seduzem mais, me cansam... E enquanto centenas blogueiros de todo o mundo viram fotógrafos apaixonados a cada dia, eu, que já fui uma fotógrafa profissional, editora de fotografias da Agência Folha (de S.Paulo) por quase sete anos, assisto calada cair por terra o traje gasto do meu antigo ofício. E me desfaço dele sem dor.

O fato é que, para mim, nos dias de hoje, as fotos cansam, a estética dominante anda repetitiva e sem graça. Claro que eu produzo, reproduzo, faço parte da maioria, e compreendo a fascinação das pessoas, mas não me emociona mais e esta sensação me deixa um tanto paralisada. Inúmeras são as postagens que perdi para sempre em função das fotos que não consigo publicar e/ou deixei de fazer. A nível estético o que ainda me encanta na fotografia hoje é uma espécie de primitivismo, uma imagem quase que construída a mão e produzida artesanalmente por alguns poucos fotógrafos. Preciso de outra fotografia, uma foto que não serve para o blog. Crise quase que total.

Eu não gostaria de ver a fotografia voltar no tempo. Claro que não. Mas a repetição do modelo, quase viciado, criado a partir da facilidade proporcionada pela foto digital e seus truques de edição, me cansa... Gosto de uma foto mais primitiva, mais rústica, riscada, marcas de luz num papel...imagens sujas e tremidas. É estou noutra direção mesmo. Mas mudando de assunto....


As imagens de hoje saem como um parto, para constar, fazer número, desprovidas de tudo. O que elas deveriam mostrar? Uma imensa saudade do Rio de Janeiro. Uma saudade que dói, dói muito. Vontade de andar sobre pedras portuguesas, de comer comida de botequim. Vontade de respirar fundo e sentir o cheiro de ar muito úmido, vontade de pegar um temporal e sentir calor forte, calor de verdade. Vontade de cheiro de maresia, água de coco de verdade, línguiça frita, pastel, empada, croquete. Angu do Gomes. E aqui está. Angu do meu jeito. Angu com molho de carne moída. Sei que há quem prefira chamar angú de polenta, mas como carioca e brasileira orgulhosa que sou, essa bola eu não passo para os italianos. Não é o tradicional angú com sarapatel, é apenas a minha versão, para lembrar dos sabores do meu Rio de Janeiro. Para completar uma nuvem de verduras frescas, recém colhidas do nosso jardim: rúcula, espinafre e salsinha.



Angu com carne moída


Para o molho de carne moída

400g de carne moída (use a carne que preferir)
1 colher de sopa de óleo de coco extra virgem
1 cebola grande picada
3 dentes de alho grandes raladinhos
2 talos de cebolinha picada
1/4 de pimentão vermelho picadinho bem pequenininho
1 lata de tomates cereja em suco de tomate
4 a 6 colheres de chá de uma mistura de páprica, cominho, semente de coentro, curcuma, canela e pimenta do reino
salsa a gosto
200ml de vinho branco
300ml de água
sal a gosto


Como:

Primeiro prepare o molho e deixe cozinhar em fogo baixo para apurar bem. Em fogo alto esquente o óleo de coco, doure a carne, doure a cebola e o alho, cuidado para não queimar. Adicione o vinho, abaixe o fogo para médio, deixe a carne cozinhar um pouco até evaporar o vinho. Adicione os temperos, sal e a água e deixe cozinhar. Adicione mais água se precisar. Quando a carne estive no ponto adicione os tomates em suco de tomate e deixe ferver por uns 5 minutos (você não quer que os tomates quebrem. Quando estiver pronto adicione a cebolinha e a salsinha.

Para o angú


200g de farinha de milho para angú (fubá grosso)
1,5 litro de água ou caldo de legumes caseiro (nada de cubinho!!)
Sal a gosto

Como:

Enquanto a carne cozinha prepare o angú. Ferva 1,5 litro de caldo de legumes ou frango ou água com sal mesmo. Quando ferver adicione a farinha de milho, aos poucos e usando um fouet mexa bem para incorporar e não embolar. Abaixe o fogo pois quando ferver vai começar a espirrar. Deixe ferver por uns 10 minutos ou até que a massa solte do fundo da panela. Atenção para não agarrar e queimar. Sirva imediatamente com molho de carne da sua preferência e salada verde.




terça-feira, 10 de julho de 2012

Giandujotti para presente





Como prometido, vou sortear mais chocolate, mas desta vez via blog. Aproveitar que é inverno no Brasil e dá mais vontade de comer chocolate. Vou sortear dois sortudos que irão receber uma sacola com 200g de Giandujotti Venchi ao leite cada um. Antes de mais nada deixe-me explicar uma coisa. Em italiano a coisa funciona assim:

Um bombom Giandujotto no singular
Dois bombons Giandujotti no plural




Como concorrer:

Torne-se fã da página da minha loja Doce Vika no Facebook e deixe um comentário aqui nesta postagem.

Quando chegar a hora de sortear, eu vou sortear os comentários desta postagem e depois checar no Facebook para ver se o sorteado curte a loja, tá? Se não curtir eu sortearei outro nome. Lembre que a Doce Vika é a patrocinadora deste sorteio e ela precisa sempre de novos fãs!

O sorteado pode estar em qualquer lugar do mundo, tá bem? Espero sortear endereços no hemisfério sul para evitar a mico de mandar chocolate para lugares europeus em pleno alto verão...

Mas, por favor, não deixe comentário na página do facebook do Sabor Saudade nem da Doce Vika pois eles não serão incluídos. Você pode comentar no Facebook o que desejar, adoro comentários, mas os comentários sorteados serão apenas os feitos aqui no blog.

Portanto, trate de "curtir"/"like" e deixar um comentário qualquer (mas gentil) aqui que você está dentro!


Sorteio dia 20 de julho!


Sobre o Giandujotto:

É um bombom tradicional italiano feito da mistura de massa de cacau com massa de avelãs do Piemonte, Itália, baizada de gianduja (gianduia). Também pode ser feito com outras nozes.

O primeiro bombom feito a partir da pasta gianduia (gianduja) foi produzido em Turim para o Carnaval de 1865. O bombom original, moldado em forma de cone ou de uma pequena montanha, era coberto por um fino papel dourado que lembrava a máscara de Carnaval tradicional de Turim, conhecida como Gianduja. O chocolate foi então batizado como giandujotto para homenagear a máscara dourada carnavalesca. O formato tradicional do bombom em forma de cone ou triangular também seria adotada como homenagem as montanhas do Piemonte de onde saem as avelãs usadas no bombom e onde foi produzido o Giandujotto.

Segundo Gigi Padovani, historiador italiano, o chocolate giandujotto foi o primeiro bombom de chocolate embalado individualmente vendido no mundo. De acordo com Padovani, que escreveu um livro sobre pasta gianduia, até que os suiços descobrirem as técnicas para preservação e empacotamento das barras de chocolate o giandujotto permaneceu com o único bombom de chocolate 'vestido' feito na Europa.

Desde então o giandujotto ou giandujot, assim como outros produtos feitos a partir da pasta gianduia tornaram-se marcas registradas, controladas, mas bombons gianduja, ou gianduia, são produzidos em todo canto e sempre embrulhados em papel dourado. Em algumas caixas de bombons pralinés o bombom gianduja é o único que vem embrulhado, geralmente em papel dourado. Alguns chocolates belgas o produzem o bombom gianduia em forma de cone, parecendo um cone de sorvete com o creme de gianduia saindo do cone de papel dourado.

A Venchi produz o giandujotto desde 1878 em hoje poduz 3 tipos de giandujotto embrulhados em papeis de cores diferentes:

Giandujotto antica recetta embrulhado em papel verde,

O Giandujotti Fondenti com cobertura de chocolate amargo e embrulhado em papel dourado, e o giandujotto sem açúcar em papel prateado.

(Giandujotto prateado é feito sem açúcar, adoçado com maltitol)


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